sábado, 29 de novembro de 2008

Dor de amor

Se todo mundo algum dia vai sofrer por amor, acho digno minha dor começar com você... Mas se puder escolher o próximo amor pra sofrer vou querer um pouco mais de paixão. Nada contra o amor carinhoso e atencioso de um longo relacionamento. É mais pra variar mesmo. Eu achava que não iria querer me apaixonar por outro. E agora, ao contrario. Quero me jogar, e me apaixonar várias vezes. Vai ver aprendi a sofrer... Ou estou desiludida, e vejo que relacionamentos são realmente efêmeros e, se é pra ser assim, pra que fazê-los ser diferente? O que eu queria mesmo era já começar um relacionamento combinando um prazo de validade. Um mês? Dois no máximo. Daí teríamos que fazer o melhor possível nesse prazo. Não iríamos deixar nada pra depois, intensidade máxima. No fim acho que nenhum dos dois sofreria tanto, porque não haveriam grandes expectativas, e claro, não haveria nenhum constrangimento: Quem entrou com o pé e quem entrou com a bunda? Ninguém. Foi só o prazo de validade que expirou.
Quem me dera as coisas fossem mais práticas.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

my happy ending

“quando eu disse a ela que o amor passou, a cidade levemente flutuou.
ondas amarelas na contorno cheia, a cidade simplesmente me odeia.”



meu final feliz não tem duas pessoas dizendo “eu te amo” e se beijando apaixonadamente.
mas tem duas pessoas que se gostam muito. e que aprenderam, finalmente, a se respeitar.
no meu final feliz, os qüinhentos e oitenta e seis quilômetros viraram nove mil seiscentos e quarenta e dois. os seis meses de conversas deliciosas, músicas, sexo, abraços, dúvidas e angústia viraram palavras doces de admiração.

no final, ele não era louco. era só um romântico.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

resolução de ano novo

ontem à noite eu resolvi que aqueles minutos antes de dormir – quando o pensamento vai sem freio – não seriam mais seus.

isso significa que eu não vou repetir – over and over again – os acontecimentos da primeira vez que a gente se beijou. nada de palmas das mãos coladas, risos, dedos se entrelaçando e um beijo doce que tirou meu chão.

significa que um sorriso não vai se abrir no meu rosto, simplesmente porque eu me proibi de pensar naquela madrugada, quando eu dei boa noite e me virei pra dormir. e você me puxou pelo pijama, me abraçou e ficou assim, até quase meio-dia.

significa também não sentir aquele aperto no peito. aquele, de dizer tchau, entrar no ônibus e ver você encostado na parede da rodoviária. e o ônibus não ia embora. nem você.

abrir mão disso, é abrir mão da trilha-sonora-de-casal mais linda que eu já vi. e é não me irritar com as suas manias estranhas.

não dar os últimos minutos do meu dia pra você é saber que a sensação de “nós” vai passar. é uma escolha. é que a gente teve poucos momentos. e eu me agarrava a eles por não querer tirar você da cabeça. porque a saudade me parecia melhor do que admitir o que a gente já sabia: 586 km é coisa demais. até pra um coração gordo.

eu tava decidida.
mas recebi um email seu.
você falava de saudades e de vontade de ficar junto.


ai, meu coração.

desabafo de uma manhã nublada

deveria existir uma lei pra proibir as amigas de ficarem chatas quando se apaixonam.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Assim...

Eu que já te superei não devia sentir isso. Que nem nome tem. Que no momento nem é a saudade. E nem amor ou ódio. Não sei o que é. Acho que pode ser a constatação de que tudo mudou. De que o que antes era natural, agora é inapropriado. Não devo te chamar de anjo, não devo ir ao seu show, e não devo te querer. E será que eu realmente quero? Ou será que é uma teimosia de quem não sabe perder? Fico tão bem enquanto não sei de você... enquanto não penso que você está em outra. Já vejo vários problemas na sua personalidade que me incomodam. E eu simplesmente não percebia, ou não me importava tanto. O que te entusiasma? Sinceramente não sei... Enquanto estávamos juntos eu tinha certeza que era eu. Ingenuidade? Pretensão pura. Achava que você gostava mais de mim do que eu de você, e isso me deixava até mais confortável. A gente se divertia e isso era o mais importante.

cena patética 4

ontem ele me beijou e por alguns segundos eu esqueci de tudo ao meu redor.

ainda bem que amanhã eu tenho terapia.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Hoje só tenho vontade de escrever.

E escrever assim, como um diário, não como um projeto de graduação. Quem sabe se é por estar assim sozinha, e ao mesmo tempo na procura pela satisfação em estar só comigo. Independência é o que eu mais quero neste momento. Não digo de grana, ou de família, mas sim do coração. Como assim, alguém vai embora e leva um pedaço de mim? Nada disso! Faz favor de devolver, porque agora não tem mais dessa. É tudo meu e fica comigo. Você vem, traz coisas boas e novas me faz feliz, mas não é minha felicidade. E então você vai.

são seis da manhã e eu não tenho pra onde ir.

é muito ruim saber que esse aperto no meu peito tem nome.
e que não importa quantos Joãos, Daniéis e Rafaéis me levem ao cinema, me convidem pra almoçar ou me acordem de madrugada com um SMS bonitinho, ainda vai doer.
e não importa que o Fernandinho elogie o meu perfume.
era o seu cheiro que eu queria sentir.

é muito ruim acordar com saudades.
e saber que um abraço seu não tem previsão pra acontecer.
a distância física é um saco.
mas não é nada perto dessa barreira que a gente colocou entre a gente.

aí, cabeção.
como eu quero você.
sonhei com o seu sotaque hoje.
vem me dar um beijo, vem.
e depois, me coloca pra domir.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Hoje eu saí com um homem sensacional.

Divertido, bonito, inteligente... e melhor amigo. Tá bom, admito que já fiquei com ele. Uma vez. Tempo suficiente para pegar uma amigdalite terrível e ver que nunca na vida daria certo. Nenhuma química. Acredito que na época ficamos mais por pressão dos outros que por vontade. Afinal a gente dava tão certo... Mas não deu. Sorte minha de não o ter perdido por esta bobagem. Enfim, continuamos amigos, e hoje estamos na mesma situação. Término de longos e excelentes relacionamentos. A diferença é que estamos em lados opostos. Mas enxergo nele o que o “falecido” deve ter passado... É incrível a coincidência de situação e de momentos. E que bom, porque assim podemos sair bem mais vezes, conversar sobre tudo sem censura, dar conselhos um pro outro (incluindo motel mais barato e quando não retornar a telefonemas e mensagens de celular), e dar muitas risadas.

homem pensa diferente da gente

depois que eu descobri isso, confesso que me tornei mais tolerante com eles. nem sempre o que eles fazem é cafajestagem, ou insensibilidade, ou irresponsabilidade. "não é possível que ele tenha coragem de fazer uma coisa dessas!", "nossa, será que ele não percebe?". tudo bobagem. e digo isso sem nenhuma pretensão de ser machista, feminista, ou de defender qualquer tipo de determinismo biológico. é cultural mesmo. eles aprenderam a agir e a interpretar as coisas de um jeito e a gente de outro. então, antes de tentar entender as coisas a partir do seu próprio ponto de vista, lembre-se que ele pensa diferente de você. esse é um bom exercício pra não acabar criando expectativas exorbitantes.

e isso serve pra eles também. "nossa, não sei porque ela se importou tanto com uma coisa tão besta". besta pra você, né, meu amigo? mas pra ela vale mais do que tudo.

pronto, acho que já estou estudada pra minha prova de antropologia.

* ok, eu sou hipócrita. faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Relacionamento aberto. Defina.

Um relacionamento aberto normalmente é composto por duas pessoas. Elas não querem compromisso, porque não querem cobrança. Entretanto, isso não as impede de querer cobrar, provavelmente por este ser, para a maior parte das pessoas, um novo tipo novo de relacionamento. Cobrar é uma espécie de hábito. Então é como dar sua cara a tapa todos os dias. Você não sabe qual a reação da outra pessoa, quais os limites. Se você tem um namorado as coisas são um pouco mais previsíveis. Por exemplo: Você quer encontrar com ele. Ele nem tanto. Passaria um dia tranqüilo, sozinho, jogado no sofá. Entretanto, ele entende sua expectativa de encontrar com ele, e vai mesmo assim. E até se diverte. Mas abre mão de alguma coisa. Relacionamento aberto não tem dessa. É egoísmo puro. Agora eu quero, agora eu não quero. Caso coincida de os dois quererem, então ótimo. Alguma coisa acontece. Caso contrário, não. Pode ser frustrante. A chave é não ter expectativas. Manter uma certa distância. Um segundo relacionamento também pode ajudar. Não tanto pela questão dos programas e do tempo, mas sim, pelo pensamento.

cena patética 3

sei que eu prometi que não ia escrever mais sobre ele, mas não teve jeito.

ele não é do tipo que fica na internet o dia inteiro, como eu. resultado: eu, boba que só, contando as horas pra ele entrar e a gente se encontrar "por acaso" online. daí ele vai e entra enquanto eu estava fora. quando eu volto encontro a resposta dele e penso "droga, perdi". e agora eu já sei exatamente os dias e as horas em que ele costuma entrar. e fico me planejando pra não perdê-lo de novo.

enquanto isso, dos psicopatas eu quero distância - e, sem perceber, vou me transformando aos poucos em um deles.

tô ficando preocupada. de verdade. alguém tem um amigo pra me apresentar?

domingo, 16 de novembro de 2008

será que eu vou ser assim quando eu for mãe?

- vai sair com o namorado?
- não, mãe. e ele não é meu namorado.

(...)

- me mostra a foto dele no orkut?
- não, mãe, não inventa.

a irmã pentelha intromete:

- ela pediu pra eu entrar no orkut dele pelo meu, pra ele não ver que ela tava fuçando. eu falei pra ela desligar o fuçador, mas ela disse que não sabia fazer isso.
- mãe! já que você já viu agora, pra quê você quer que eu entre de novo?
- ah, pra ver mais.

quando será que as mães vão entender o significado da palavra "ficar"?

eu conheci o amor da minha vida.

eu tava no meu carro, parada no sinal vermelho. ele vinha caminhando pra atravessar a rua. o sinal abriu, ele não viu e continuou andando. eu achei um charme aquele jeito distraído de ser. ele resolveu olhar pra cima e viu que o sinal já estava aberto. riu sem graça, fez que ia voltar. mas me olhou, eu estava rindo e disse com as mãos que era pra ele continuar. ele abriu um sorrisão delicioso. e veio andando em minha direção. eu, nervosa, gargalhei. ele ficou tímido, sorriu outra vez e deu meia volta.
seguiu o caminho dele e eu o meu.

eu conheci o amor da minha vida.
e 4,2 segundos depois, eu o perdi de vista. talvez pra sempre.
é muito frustrante isso de saber que o amor da vida da gente tá assim tão perto.
e eu nem sei o nome dele.
será que ele também tá pensando em mim?

eu conheci o amor da minha vida.
tomara que com o próximo, eu ao menos troque telefones.
mas, por enquanto, é pelo moço bonito de terno que eu vou suspirar.

Te amo da ponta do nariz à sola do pé

Será foi seu sorriso, novos óculos, cabelo grande e pose de rockstar? O lugar que você trabalha? As roupas que veste? Não. Pra mim não foi isso. Foi bem antes, ainda magrelo, tímido e menino. Sem tantos amigos mas com um brilho nos olhos que surgia quando me olhava. E era isso que eu amava mais em você. Aquele seu jeito, que agora já morreu. Seu olhar de indefeso balançando em frente ao meu. Promessas que me iludiam e confortavam. As quase renúncias que até me encantavam. E o que me irrita hoje é que você não é mais você e eu ainda sou eu. Vou ter que mudar, adaptar e me enganar. Mentir pra mim mesma que você é só mais um, que não era mesmo pra ser e que outros melhores virão. Que o mundo nem sempre é justo, e que estamos em momentos diferentes. Que você precisa passar por esta fase na sua vida, para crescer e se tornar uma pessoa melhor. Mesmo sabendo que a pessoa anterior já era boa o suficiente. Fico neurótica, não gosto de ninguém que tem interesse em você, mesmo sem conhecer. E assim fica difícil dizer se você está bem ou não. Se está feliz em sua escolha. Eu é que não tenho escolha. Só me resta seguir. Juntar os pedaços que sobraram. Agradecer pelos dois quilos a menos. Colocar uma máscara de alegria e ir.

cena patética 2

de repente todas as pessoas com quem você não se importa vêm com aquela de "tô com saudade". e eu me pego do novo pensando que bem que podia ser ele. que se fodam os outros.

e precisa repetir que tudo que eu queria era um peguete de conveniência? bom, é, acho que peguetes de conveniência não sentem saudade. controle-se, amanda, tá tudo dentro dos conformes.

patético.

ontem uma amiga perguntou de você

eu contei, mas em voz alta me soou bem ridículo.

inacreditável o que a gente tá fazendo com a gente.

me assusta essa nossa necessidade boba de rotular as coisas e controlar sentimentos.

pronto, num piscar de olhos estragamos tudo.

então, faz assim: vai viver sua vida, eu vivo a minha.

quem sabe um dia a gente se esbarra.

e aí, eu torço para que você seja uma pessoa melhor.

porque hoje, 586 quilômetros depois, tudo me parece uma bobagem enorme.


mas eu fico aqui, morrendo de saudades do que poderia ter sido.

cena patética 1

torci pra que hoje chovesse horrores e ele desistisse de ir. mas não. acordei e o céu tava azul. um solão, que não aparecia tinha uma semana. de repente me pego na internet procurando o horário da festa que ele vai. e torcendo pra que amanhã ele se sinta culpado por ter recusado o cinema na sexta.


e olha que tudo que eu queria era um peguete de conveniência.


patético.