ontem à noite eu resolvi que aqueles minutos antes de dormir – quando o pensamento vai sem freio – não seriam mais seus.
isso significa que eu não vou repetir – over and over again – os acontecimentos da primeira vez que a gente se beijou. nada de palmas das mãos coladas, risos, dedos se entrelaçando e um beijo doce que tirou meu chão.
significa que um sorriso não vai se abrir no meu rosto, simplesmente porque eu me proibi de pensar naquela madrugada, quando eu dei boa noite e me virei pra dormir. e você me puxou pelo pijama, me abraçou e ficou assim, até quase meio-dia.
significa também não sentir aquele aperto no peito. aquele, de dizer tchau, entrar no ônibus e ver você encostado na parede da rodoviária. e o ônibus não ia embora. nem você.
abrir mão disso, é abrir mão da trilha-sonora-de-casal mais linda que eu já vi. e é não me irritar com as suas manias estranhas.
não dar os últimos minutos do meu dia pra você é saber que a sensação de “nós” vai passar. é uma escolha. é que a gente teve poucos momentos. e eu me agarrava a eles por não querer tirar você da cabeça. porque a saudade me parecia melhor do que admitir o que a gente já sabia: 586 km é coisa demais. até pra um coração gordo.
eu tava decidida.
mas recebi um email seu.
você falava de saudades e de vontade de ficar junto.
ai, meu coração.
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Um comentário:
essas decisões não são fáceis, principalmente porque sentimentos são como ondas, vem e vão.
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